Pós-Modernismo e Leis Dirigidas a Segmentos e Minorias

Pós-Modernismo e Leis Dirigidas a Segmentos e Minorias

As sociedades pós- industriais, planejadas pela tecnociência, programam a vida social nos seus menores detalhes, pois nelas tudo é mercadoria paga a uma empresa privada ou estatal… elas deixam ao indivíduo a opção de consumir entre uma infinidade de artigos, mas não a opção de não consumir.

Além disso, há o apelo constante do novo. Viver é estar de mudança para a próxima novidade. Com uma gama enorme de bens e serviços, para todas as faixas e gostos, ao seu alcance, só resta ao indivíduo escolher entre eles e combiná-los para marcar fortemente sua individualidade. Embora a produção seja massiva, o consumo é personalizado (vide o cheque “personalizado”). Assim, o sistema propõe, o indivíduo dispõe…

Até há pouco a massa moderna era industrial, proletária, com idéias e padrões rígidos… Crente no futuro, mobilizava-se para grandes metas através de sindicatos e partidos ou apelos nacionais. Sua participação era profunda (basta lembrar as duas guerras mundiais). A massa pós-moderna, no entanto, é consumista, classe média, flexível nas idéias e costumes. Vive no conformismo em Nações sem ideais e acha-se seduzida e atomizada (fragmentada) pelos mass media [1] querendo o espetáculo com bens e serviços no lugar do poder.

Pós-Modernismo e Leis Dirigidas a Segmentos e Minorias

Participa, sem envolvimento profundo, de pequenas causas inseridas no cotidiano – associações de bairro, defesa do consumidor, minorias raciais e sexuais, ecologia… [sociólogos chamam esta mudança de deserção do social]. …

… os indivíduos estão se concentrando em si mesmos, hiperprivatizando suas vidas. Eles investem em saúde, informação, lazer, aprimoramento pessoal. A massa moderna queria a História quente, combativa; a pós-moderna quer esfriar a História, congelá-la numa sucessão de instantes isolados e sem rumo…

… As eleições dependem mais da performance do candidato nos mass media que de suas idéias. E ninguém no planeta acredita que políticos e tecnocratas apinhados no Estado representam o povo ou possuam altos ideais. O trambique político é demasiado transparente…

Essa descrença no político faz a massa pós-moderna dar as costas para as grandes causas. Ela cobra do sistema eficiência na administração e nos serviços tais como educação, transportes, saúde…

A massa pós-moderna não tem ilusões: sabe que trabalhará sempre para um sistema, capitalista, socialista, ou marciano. Por isso ela não crê no valor moral do trabalho nem vê na profissão a única via para a auto-realização…

Concentrado no setor de serviços (lojas, bancos, escritórios, administração, laboratórios), o trabalho pós-moderno é um jogo comunicativo entre pessoas. Sem a tensão da linha de montagem moderna, pede antes o sorriso, a descontração…” – Jair Ferreira dos Santos, in O que é Pós-moderno, Ed. Brasiliense, S. P., 2004, 22ª ed, p. 89-94 (grifos da transcrição).

O texto transcrito dá bem a idéia da supervalorização dos serviços, públicos e privados, nos dias atuais e ajuda a entender o contexto, que favorece a promulgação de leis destinadas a segmentos da população, como idosos, gestantes, deficientes físicos, pessoas com criança de colo e consumidor.


[1] Mass media são sistemas de produção, difusão e recepção de informação. Estes sistemas são organizados por empresas públicas ou privadas, voltadas para a comunicação de massas. A exploração dos meios de comunicação de massa pode ser sob monopólio ou concorrência privada.

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