O Oportunismo e o Servidor

O Oportunismo e o Servidor

A literatura mundial proporciona uma linha tênue ao que chamamos de oportunidade. Nisto está o embate conceitual do que seja oportunismo versus as convicções. Mudar de opinião é da vida, entretanto, o que se exaspera atualmente é uma inescrupulosa incidência em aceitar migalhas. Ainda mais, em detrimento do objetivo maior, a ser sempre perseguido, o de que as garantias e os avanços devem ser estendidos a todos.

Neste sentido, Oliver E. Williamson destaca em seus ensinamentos que, “o oportunismo não é apropriar-se maquiavelicamente ou apanhá-los antes que eles nos apanhem”. E “sim, olhar adiante e reconhecer os tipos de riscos que são propostos pelo oportunismo”. O autor identifica assim, a “busca do auto-interesse com malícia”. Tais condutas em evidência dentro das concepções humanas e quiçá do setor público, comprometem o que chamamos de “ideal comum”. Pois não é nem factível esperar de uma entidade representativa, que esta se cale, ou seja diminuída, em detrimento da força do poder político.

Em outra ponta desta conceituação outro teórico, no caso Hayek, define o oportunismo como um sentido específico, no qual, além da malícia, junta-se as tantas formas de pensar, condutas eivadas de “erro intelectual”, que remetem ao cientificismo e ao pragmatismo. Como bem roga o autor, tais aspectos derivam a “quintessência da presunção e arrogância humanas”, bem como, “do auto-engano e da falsa crença do homem moderno na sua capacidade de ordenar a sociedade”.

O Oportunismo e o Servidor

Estejamos nesta ou noutra gestão, o que se define como meta a ser alcançada, nada mais significa que, a UNIÃO. É com este pressuposto que um sindicato se ergue. É com esta prerrogativa que clamamos a nossa chance de vitória sobre os patrolamentos e submissões. A divisão apenas interessa aos pobres de espírito, estes encontram na malícia e no oportunismo, a sua redenção.

Ser vigilante da honra e da honestidade das negociações, sempre será nossa bandeira. Mesmo por que, o homem e a sociedade, prescindem de que os compromissos assumidos sejam os compromissos realizados. Por isso, balizados nestas visões e nas demais aspirações que primam uma instituição de todos e para todos, queremos lembrar a quem ainda não se deu por entendedor que, a administração sindical em seu cerne, tem compromisso com a ordem e a palavra empenhada.

Não obstante a isso, a luta a se desempenhar dentro deste cenário, às vezes nocivo, encontra-se arrazoada na dignidade do ser humano e mais premente ainda, no fato deste ser, estar aqui representado pela figura quase sempre desconstruída do servidor público, que por toda uma vida, sofre com diminuições e conceitos pejorativos. Ora, exacerbar pré-conceitos empobrecem, sobretudo a alma humana.

Por fim, as afirmações aqui elencadas, nutrem-se de um novo paradigma a ser enfrentado, o de que, não é mais aceitável incentivar o oportunismo dentro das instituições, mais ainda, se delas dependem a atenção a sociedade. Suprir-se de parâmetros de ideais éticos, com certeza sobrepõe-se a qualquer individualidade. O oportuno enfim é, politizar-se e desmistificar o sentido real de viver em prol da comunidade, sem que para isso, tenha que se corromper as nossas ideias, ou os nossos ideais.

Artigo de Evandro J. B. de Camargo. Funcionário Público Municipal. Bacharel em Administração pela UPF e Presidente da Associação dos Fiscais Urbanos, Sanitários e Afins do Município de Passo Fundo.

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