Fiscal de Posturas Lingüísticas

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Estrangeirismos

Por Hélio Consolaro

Depois de um convescote, o ludâmbulo foi a uma partida de ludopédio. É possível que essa frase seja mesmo incompreensível para alguns leitores.
Eis a tradução: Depois de um piquenique, o turista foi a uma partida de futebol.
As palavras estranhas da citada frase foram inventadas para substituir as correspondentes formas estrangeiras, que não agradavam aos zelosos puristas do final do século 19.
O tempo mostrou que nenhuma delas sobreviveu, exceto como excentricidade nos dicionários.
Picnic virou piquenique; tourist, turista; e football, o nosso apreciado futebol.
Hoje, só à força de olharmos a origem, sabemos que essas palavras foram importadas… Com roupagem portuguesa, elas ficaram muito bem!
Atualmente, preocupado com a invasão de termos estrangeiros, o deputado Aldo Rebelo quer proibi-los por lei.
Seu projeto prevê sanções para quem os usar sem a correspondente tradução.
Num país tão carente de fiscalização, terá de ser criada – imagino – a figura do ‘fiscal de posturas lingüísticas’, que ficará atento a placas, letreiros, etc. Não vai dar certo!
Quem lê uma gramática mais antiga verá que os estrangeirismos – rotulados então entre os barbarismos – eram considerados vícios de linguagem.
Hoje, mesmo entre os gramáticos, há quem não faça referência a tal assunto.
Compulsei Pasquale Cipro Neto, Ulisses Infante e José de Nicola e não vi nenhum deles arrancando os cabelos por causa de site, drive, break e coisas parecidas…
Coibir os estrangeirismos parece mesmo uma perda de tempo. Com as coisas vêm as palavras, e, como importamos muitas coisas!…
O que se poderia fazer, entretanto, é vestir com roupa portuguesa esses ‘intrusos’, de que muitas vezes precisamos, ainda que percam um pouco do ‘glamour’, com desculpas pelo estrangeirismo.
Caberia à Academia Brasileira de Letras, em comum acordo com os dicionaristas, analisar os estrangeirismos que estão consagrados pelo uso e incorporá-los, sob forma aportuguesada, ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, ainda que por aproximação fonética.
Assim, no futuro, quem não for minimamente familiarizado com o inglês, só verá a língua de Camões quando alguém escrever que ‘o badibói tumultuou o cofibreique no xópim’.
Ah! E que se destaquem com aspas ou itálico os alienígenas que se mostrarem resistentes à roupagem nova!”
(Autor: Walter Rossignoli é professor universitário, escreveu “Português; teoria e prática”, editora Ática. Colaborador do site “Por Trás das Letras” – [email protected]).

Juçara ou Jussara?

Se o leitor for procurar a palavra “jussara” no dicionário, com dois esses, não vai encontrá-la, porque “juçara” é palavra de origem indígena, por isso é escrita com “c” cedilhado.
Juçara é uma palmeira, coqueiro.
Se o nome da mulher for “Jussara”, conforme certidão de registro civil, deve-se respeitar a grafia, embora fira as regras ortográficas.
Quanto ao populoso bairro de Araçatuba, convém marcar com “c” cedilhado, pois obedece à regra e não vai trazer nenhuma complicação legal.
Uma palavra escrita de forma errônea, mesmo um nome fantasia de empresa, deseduca a memória gráfica dos leitores e dificulta o trabalho das escolas.
Guararapes – marco rotário
Divulgamos nesta coluna, em dezembro, com foto, a falta do hífen na palavra “bem-vindos” no marco rotário na via de acesso de Guararapes.
O erro já foi reparado. Parabéns aos companheiros guararapenses.

Fonte: http://www.folhadaregiao.com.br/Materia.php?id=84420

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