Fiscais de Posturas com sensibilidade testam acessibilidade em Goiânia

Quando a gente pensa que tudo já foi feito em se tratando de Fiscalização de Posturas, aparece uma nova ação e esta vem carregada de sensibilidade, veja a matéria:

FISCAIS DA PREFEITURA VIVENCIAM REALIDADE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

 

De cadeira de rodas e olhos vendados, grupo de servidores do município conheceu dura realidade enfrentada por cadeirantes e deficientes visuais nas ruas de Goiânia.

Na manhã desta quarta-feira, 05, fiscais da Prefeitura de Goiânia vivenciaram algumas dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência nas ruas da capital. Em cadeiras de rodas, os agentes municipais percorreram as instalações do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), conheceram o trabalho realizado na unidade e experimentaram a dura realidade de cadeirantes ao subirem rampas, descerem meios-fios e atravessarem portas estreitas, por exemplo. Os fiscais tiveram ainda os olhos vendados e, com bengalas, atravessaram ruas sem sinalização tátil e andaram por calçadas irregulares, vivenciando também a realidade dos deficientes visuais. A atividade foi promovida pela Secretaria Municipal de Políticas para as Pessoas com Deficiência ou Mobilidade Reduzida (Semdep).
A titular da pasta, Cidinha Siqueira, afirmou que o objetivo da ação é orientar os fiscais para que, após conhecerem as necessidades e dificuldades das pessoas com deficiência, possam fiscalizar as barreiras físicas e de comunicação e contribuam cada vez mais com o modelo de prefeitura sustentável. “Eles é que vão fiscalizar e vistoriar a cidade, possibilitando a transformação de Goiânia em uma cidade acessível, onde as pessoas com deficiência exerçam com dignidade o direito de ir e vir. Eu acredito que não haja sustentabilidade sem acessibilidade e o prefeito Paulo Garcia está bem empenhado nesta questão. Queremos derrubar, ou ao menos minimizar essas barreiras”, declarou.

Cidinha explicou que o grupo escolhido já vem caminhando com a Semdep há cerca de dois meses. “Estamos fazendo um planejamento estratégico para atuação dentro de toda cidade e essa experiência será importantíssima, pois é preciso perceber e sentir as dificuldades que a pessoa com deficiência enfrenta para subir uma rampa sem o nível correto, por exemplo, e hoje eles vivenciaram isso”, disse. A secretária contou ainda que está sendo feita uma avaliação de prédios públicos e de outros lugares da cidade, como empresas, igrejas e comércios. “Estamos fazendo isso porque a pessoa com deficiência tem que exercer o direito de ir e vir em qualquer lugar da cidade”, ressaltou.

“Vivendo essa experiência a gente fica mais sensibilizado para defender a causa. Temos que olhar mais por essa parte. Nós, que somos fiscais da lei, temos que ficar atentos”, disse João Batista, auditor fiscal de tributos da Prefeitura de Goiânia. O servidor municipal lembrou que a fiscalização sozinha não resolverá todos os problemas de acessibilidade da cidade. “É preciso também sensibilizar toda a sociedade”, garantiu. De acordo com o fiscal de posturas de trânsito, Gilberto Nascimento, realmente há uma necessidade da cidade de adequar. “Vamos trabalhar o desimpedimento das calçadas como a não colocação de objetos, materiais de construção e mercadorias de lojas, e também os desníveis nos passeios públicos”, assegurou.

O coordenador de fiscalização do departamento de Vigilância Sanitária, Irineu Batista Júnior, classificou a experiência com “incrível”.  “Não temos a noção da dificuldade que é estar em uma cadeira de rodas. Mesmo aqui no Crer, que a acessibilidade está dentro das normas, tivemos dificuldades. Mesmo saudáveis e com forças, foi difícil subir as rampas sozinho. Lá fora, é praticamente impossível andar de cadeira de rodas sozinho”, reconheceu. Irineu afirmou que a partir da experiência terá um novo olhar a respeito da acessibilidade, agindo com mais rigor e exigindo o cumprimento das normas de acessibilidade.

O assessor especial da Semdep, Valdir Melo, que usa muletas por ter tido uma perna amputada, disse que as dificuldades não são diferentes de uma pessoa que usa cadeira de rodas. “Aonde vou me deparo com obstáculos e isso cerceia a gente no dia a dia”, contou. “A cidade precisa ser pensada de uma forma diferente para que atenda as pessoas de todas as tipologias, para que todos tenham o direito de ir e vir”, assinalou. Valdir avaliou a criação da Semdep. “Veio em um bom momento. É ela que vai fomentar políticas públicas para a pessoa com deficiência e vai rever essa questão urbanística. Ela veio para conduzir e ajudar nesse processo de implementação de modificação. Acho que o prefeito foi muito feliz em criar essa secretaria que vai ser um instrumento para trazer benefícios e complementar o que já existe”, concluiu.

Novas atividades como a desta quarta-feira serão organizadas pela Semdep.”

Fonte: Prefeitura de Goiânia
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