Eu e o tal do Brasil do futuro, que nunca chegou!

“O Brasil é o país do futuro”. Vamos combinar, escuto isto desde quando eu, Iris Tomaelo, era o futuro do país… e lá se vão mais de 50 anos!!!

Sou parte de um Baby boom (nascidos entre 1948 e 1964). Elétrica, comecei a trabalhar com 12 anos, quase uma brincadeira. Cria do SENAC, aos 15 já era estenodatilógrafa (procura aí o que é). Fiz vitrine e modelei. Em jornal, fiz revisão e tive página. Vendi seguro, Mercedes Benz 1924 (e demonstrava o cavalinho). Ganhei dinheiro com areia de rio.  Jovem na década de 70, tietei o Poetinha Vinícius no carioca Antonio’s da Lagoa Rodrigo de Freitas. Mochilei no Aterro do Flamengo e caetanei na Lagoa do Abaeté em Itapuã. E, sim, dancei muito na Papagaio Disco Club. Subi a rua Augusta, corri na Radial e desci a Estrada de Santos a mais de 120 por hora. Esgoelei Chico, Gil e Milton nas repúblicas de Ouro Preto. Sambei no asfalto, conspirei pela reconstrução da UNE. Frustração eterna por não ter ido ao Festival de Águas Claras em Iacanga e por não ter terminado Engenharia. E, minha diva ainda é Janis Joplin. Li e reli “Os dois Brasis”, ainda adolescente. Fui virando gente no circuito eclético completo: Amado, Veríssimo, Freud, Marx, Neruda, Sartre e Beauvoir, Relatório Hite. Educação rígida, juventude transviada pero no mucho, fui esposa e mãe de três à moda antiga. Graduei em Administração e Direito. Fiz pouso e sou FISCAL DE POSTURAS há mais de 26 anos.

Pois bem, o tal Brasil do futuro nunca chegou!Não é à toa que fiz referência aos Baby Boomers. Nós estamos envelhecendo o país. Antes de nós, ninguém se preocupava com a aposentadoria. Só meus, são 42 anos de trabalho, muitos dos quais com patrões que nada contribuíram para a Previdência. Em 1988 (cínica Carta Cidadã), zilhões se aposentaram às nossas custas, sem ou quase nada contribuir. Diminuíram as famílias, menos jovens no mercado, um PIB que não produz nem pleno emprego para estes ninos… e nós, essa massa imensa que vai modificando a pirâmide, estamos envelhecendo.

Em 1999, no Governo Fernando Henrique Cardoso, armaram a nossa arapuca: fator previdenciário. Aposentadoria integral no serviço público, aquela pela qual engoli todos os sapos e abri mão de ter FGTS, virou lenda. Estou pagando a conta dos que vieram antes, eu contribuo, mas não sei como isto voltará na aposentadoria. Perverso mecanismo que, via aumento da expectativa de vida do IBGE, catapulta a perder de vista meu último sonho de consumo: morar no Canto do Forte, pertinho do Xixová, em Praia Grande, SP, onde os velhos são apreciados pelo Poder Público e cortejados pelas ongs e pela iniciativa privada (Terceira Idade Praia Grande).

Enjoada e enojada de escutar, ler e ver tanto candidato prometendo o que o sistema não pode dar (a proposta de acabar com o fator previdenciário é de autoria do mesmo partido da Presidente e está empacada desde 2008 – a lógica do sistema: sem a base para contribuir, explode tudo), reduzi minha participação nas redes sociais. A idade retira os arroubos, o nirvana passa a ser o verniz de urbanidade (keep calm). Me poupei.

Quer saber o tanto que você se ferrou como eu? Olha aí a matemática do sistema:

O que pensam Dilma, Aécio e Marina sobre o fator previdenciário - outubro/2014

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/eleicoes-2014/noticia/2014/10/o-que-pensam-dilma-aecio-e-marina-sobre-o-fator-previdenciario-4613522.html


 

A luz para este texto veio deste post do João Edson de Santis,anárquico, teve a sorte de poder se fastar das redes sociais durante o bombardeio de mentiras e promessas pré eleições:

06/10/2014

 

 

 

 

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