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Do Jeito Certo

Fundição – adequações ambientais na produção de lingotes de metal não ferroso

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Grandes empresas possuem disponíveis para a Fiscalização: lay-out, fluxograma de produção, memoriais descritivos, plantas, gestor ambiental (muitas vezes). A vistoria fiscal é mais de conferência, quase não há adequações a realizar. É mais acertar a situação com o que está descrito na legislação.

Nas pequenas empresas, a vistoria é sempre uma surpresa. A situação econômica do empreendimento ainda é instável. Adequações ambientais representam ônus dificílimo de suportar. É para estas empresas que trago este empreendimento simples, organizado. São ideias de fácil aplicação.

Para as Fiscalizações melhor estruturadas, nada disto é novidade.

Para quem está começando na Fiscalização, as fotos estão na sequência em que deve ocorrer a ação fiscal: entradas (matéria prima e insumos) – armazenagem; processo de produção – produtos – armazenagem; geração de resíduos – armazenagem; tratamento de resíduos e descarte. É claro que tem muito mais (documentos, análises, etc.), aqui é só uma experiência boa numa vistoria que estava fácil.

01/12/2014 – Vistoria em microempresa de fundição

Fundição 01/12/2014

l Óxido de zinco nas “paredes” do compartimento do forno (cadinho)

Processo: lingotamento de sucata de metal não ferroso. Custo estimado pelo proprietário: R$ 30 mil.

A empresa recebe material a ser processado e devolve em lingotes.

Fundição - 01/12/2014

Cavaco e pó de lixamento. Local com inclinação para o centro. Solo impermeabilizado. Com cobertura.

Fundição 01/12/2014

Liga – antimônio – zinco

Fundição 01/12/2014

Pesagem de bag: compra/recebe sucata, separa alumínio

Fundição 01/12/2014

Armazenagem de bórax decahidratado (fundente)

Fundição 01/12/2014

Óleo AG-3 – para queima de forno

Fundição 01/12/2014

Bancada de corte (esmerilhadeira) – separação de sucata

Fundição 01/12/2014

Exaustor (era de uma cabine de pintura antiga) usado para secagem de lingotes. EPIs com resistência a 300º

Fundição 01/12/2014

Moldes para lingotes (sem demoldantes)

Fundição 01/12/2014

Compartimento com “tampa/porta”: forno/cadinho Compartimento aberto: alimentação do forno

Fundição 01/12/2014

Compartimento aberto – entrada de ar e óleo no forno

Fundição 01/12/2014

Detalhe: entrada de óleo para o forno

Fundição 01/12/2014

Inferior: alimentação do maçarico

Fundição 01/12/2014

Fechamento do forno com acionamento manual Acima dos fornos, tubulação de captação de material particulado e substâncias odoríferas

Fundição 01/12/2014

Instrumentos para movimentação dentro dos fornos

Fundição 01/12/2014

Tanque de armazenagem de óleo AG-3 (a granel), com contenção – falta cobertura para impedir a contribuição de águas pluviais

Fundição 01/12/2014

Tubulação aérea para direcionamento até sistema de filtragem de pós e cheiro, no jargão: material particulado e substâncias odoríferas lançadas na atmosfera

 

Fundição 01/12/2014

1ª etapa conclusa: 55 filtros de manga instalados, com depósito inferior do óxido de zinco. Já realizada cobertura. Falta o fechamento das laterais

Fundição 01/12/2014

2ª etapa: a concluir, instalação de mais 55 filtros de manga e outro depósito (que está sendo montado no local)

Fundição 01/12/2014

No chão, telhas, coifas e depósito esperando para ser instalados

Fundição 01/12/2014

Para evitar reverberação (que “explode” como som percorrendo a estrutura dos imóveis vizinhos), garantindo o conforto da população circunvizinha, foram instalados sob o equipamento vibra stop e mantas de borracha

Fundição 01/12/2014

“- Dona, é melhor a gente ficar longe, quando abrir. Acho que isto aí já tá cheio!” Todos se afastam uns 10 metros. “- Fulano, abre aí a porta.” “- Devag… correeeeeeee!” Num segundo, o mundo fica grafite e toda a gente corre com a mão na boca, inclusive, a “Dona” aqui.

Fundição 01/12/2014

Óxido de zinco no ar, em suspensão!

Veja o vídeo correspondente às fotos em: https://www.youtube.com/watch?v=989BAhkFPHs&feature=youtu.be

Fundição 01/12/2014

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Por opção, desde 2011, na Fiscalização de Posturas do Meio Ambiente e Urbanismo. Um ano na Fiscalização de Posturas de Serviços Gerais. Seis anos na Fiscalização de Posturas da Fazenda (Atividades Econômicas). Quase dezesseis anos na Fiscalização Tributária (ISS, IVC, Inter Vivos e taxas). Bacharel em Administração e Direito. Pós graduada em Gestão Ambiental. Fiscal de Posturas na Prefeitura de São José do Rio Preto/SP. Denominação do cargo atual: Agente Fiscal de Posturas, sinonímia Fiscal de Atividades Urbanas Coordenadora de departamento por oito anos, sendo dois anos na chefia de fiscalização.

Do Jeito Certo

Exemplo que vem de Porto Velho, RO

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Pra quem acha que #FiscalDePosturas – #FiscalDeAtividadesUrbanas é truculento, dá uma olhada como a maioria dos FAUs conduz uma ação em campo… mesmo quando passível de confronto.

Saudações aos FAUS de Porto Velho, RO, em especial aos amigos Moisés Cruz, Rainey Viana e

Ramilson Palhano.

 

 

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Do Jeito Certo

Impedir contribuição de água de chuva – adequações ambientais, jeito criativo

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Quem é Fiscal de Posturas na área ambiental sabe como é difícil “convencer” o fiscalizado a impedir que a água de chuva passe por locais em que há atividades com óleo/graxa.

Escutamos todos os argumentos: “vai ficar sem iluminação”; “não derrubamos óleo”, “não cai nada no chão” (e a gente lá, tentando não escorregar no tal do “chão limpo”; “não temos dinheiro para adequar”.

Aí, surge um fiscalizado com boa vontade… olha só a criatividade!

E repara na carinha de feliz do meu Prof. Pardal com sua engenhoca super funcional.

Nota 10 pra vontade de fazer do jeito certo e 1.000 pra criatividade!!!

 

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Do Jeito Certo

Indústria de folheados – adequações ambientais na galvanoplastia (douração e prateação)

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Revestir peças metálicas com metais mais nobres é galvanoplastia.

Durante o processo, há riscos de contato e no ar (é preciso que haja ventilação boa, natural ou por exaustores que puxem os gases acima dos tanques), há vapores de solventes orgânicos, névoas ácidas e alcalinas.

As peças são mergulhadas e tiradas de um tanque e colocadas em outro, o piso é molhado por respingos, há risco de escorregar. O correto é que o piso tenha um revestimento de borracha/polipropileno, já vi (e qualquer hora posto aqui) piso de cerâmica e rejunte específicos para galvanoplastia (dolorido o custo: R$300 o m2). É comum (não aconselhável) que o piso receba pallets adaptados com cobertura de borracha.

O piso, em construção nova, deve ser direcionado para o centro. Sempre deve haver grelhas/canaletas de captação de efluentes líquidos, diretamente ligadas à estação de tratamento de efluentes (ETE).

Em geral, as paredes recebem um tratamento anticorrosivo (epóxi?).

Tudo deve ser identificado e sinalizado, preferencialmente deverá haver fichas toxicológicas acima dos banhos.

Os tanques devem ficar em bacias de contenção. Os produtos para os banhos devem ficar armazenados em local com cobertura, solo impermeabilizado, sem contribuição de água de chuva e ao abrigo de intempéries (melhor prevenir, sempre que possível instalar bacia de contenção) – embalagens vazias,  Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) inservíveis e materiais contaminados por ácidos devem receber o mesmo tipo de armazenagem em local separado (a destinação correta é em aterros industriais para resíduos classe 1).

Os equipamentos de combate a incêndio, o chuveiro de emergência e o lava olhos devem ficar em local sinalizado, visível e com passagem sem obstáculos.

Instalações elétricas devem estar em bom estado.

Dica: toda vez que houver corrosão acima de tanques ou em metais no entorno, cuidado com vapores – é certo que deverá haver estação de tratamento de efluentes líquidos, com secagem de borra (lodo galvânico), armazenagem diferenciada e destinação de resíduos classe 1.

Por conta de espaço, muitas indústrias dispõem os tanques de modo inadequado, sem obedecer à ordem dos banhos. Esta “confusão” aliada à movimentação de funcionários pode responder por inadequações ou riscos ambientais.

O exemplo de adequação ambiental aqui mostrado é de eletrodeposição de ouro e prata em colares, brincos, pulseiras e anéis.

Basicamente, o processo tem duas etapas distintas. Primeiro é feita limpeza da peça, depois é feito o revestimento na peça limpa. Sempre há um compressor, que deve ficar em casulo/casa de alvenaria (solução boa e barata, revestir paredes com caixa de ovos, se não puder colocar manta de isolamento acústico, não esquecer de colocar vibra stop ou manta de borracha/silicone sob o compressor, para evitar reverberações).

Sou Fiscal de Posturas e minha formação é em Administração, Direito e Gestão Ambiental… não sou química, tenham paciência com minha inabilidade, ok?! Vou tentar registrar aqui as explicações que ouço nas indústrias de folheados, portanto, meu conhecimento é de “ouvir dizer” e de prática:

1) as peças de latão recebem a primeira limpeza, um banho de ácido nítrico e ácido sulfúrico… há liberação de gases (o tanque tem um cheiro característico, meio acre);

2) as peças são colocadas numa espécie de rotativa – parece uma bacia que fica girando com umas “pedrinhas”, são os chips de resina ou cerâmica, têm a função de ficar “batendo” nas peças e, assim, eliminam rebarbas… de tanto “bater” os chips diminuem de tamanho, vão ficando imprestáveis ao uso;

3) as peças, sem rebarbas, são penduradas em ganchos e vão para banho de solução com cianeto de potássio (é rápido);

4) em seguida, as peças são mergulhadas em água (em algumas indústrias, os ganchos com as peças tomam uma chuveirada de água limpa);

5) as peças são imersas em tanque com uma solução ativante de ácido sulfúrico;

6) as peças vão, em seguida, para um banho no tanque de desengraxante – como todo desengraxe, a função é deixar a peça totalmente limpa para poder ser galvanizada;

7) saindo do desengraxante, as peças precisam de outro enxague;

8) novamente as peças são mergulhadas em tanque de solução de ativação;

9) após o banho ativante, as peças são novamente enxaguadas;

10) o banho, agora, é de cobre alcalino (sais de cobre cianeto). As peças de latão recebem uma camada de cobre;

11) depois desta primeira cobertura de cobre, é preciso enxaguar as peças;

12) novamente as peças precisam de banho ativante;

13) novo enxague;

14) as peças vão para o banho de cobre ácido (sulfato de cobre e ácido sulfúrico). As peças saem lisas e brilhantes.

15) banham-se as peças em tanque de cobre;

16) banham-se as peças em tanque de níquel;

17) os banhos de cobre e níquel preparam as peças para a cobertura final: banho de ouro ou banho de prata;

18) é comum novo enxague, finalizando a galvanoplastia;

19) as peças são levadas para secagem em forno (centrífugas com resistências elétricas).

Galvanoplastia - 02/12/2014

Chuveiro de emergência e lava olhos (pintados de verde). Químico mostra peças minutos antes de colocá-las no formo para secagem

Galvanoplastia - 02/12/2014

Armazenagem de borra já seca.

Galvanoplastia - 02/12/2014

Área da primeira etapa do processo de galvanoplastia

Galvanoplastia - 02/12/2014

Área da segunda etapa do processo de galvanoplastia

Galvanoplastia - 02/12/2014

No centro, canaleta de captação de efluentes líquidos ligada à ETE

 

Galvanoplastia - 02/12/2014

Tanques com identificação e ficha de identificação – observe a contenção (barreira em alvenaria no entorno da área “molhada”.

Galvanoplastia - 02/12/2014

Enxague

Galvanoplastia - 02/12/2014

Secagem das peças em forno.

Estação de Tratamento de Efluentes (faltam calhas). Local com cobertura, solo impermeabilizado, bacia de contenção, tanques de secagem de borra (lodo galvânico) – tudo sem contribuição de água de chuva e ao abrigo de intempéries

Galvanoplastia - 02/12/2014

No detalhe: secagem da borra/lodo galvânico.

Vídeo da Estação de Tratamento de Efluentes Líquidos (ETE)

 

 

 

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