Filme com Fiscais

Uma tragicomédia brasileira à moda italiana

L'ora legale, la trama - L'ora legale - I vigili
Após anos de ausência, os Vigilantes (Fiscais) retornam à área central para atribuir multas aos habitantes da cidade. Aqui está Michele (Antonio Catania) e Gianni (Sergio Friscia) que entram em ação.

Todos sabem que estou sempre procurando coisas que digam respeito a nós, Fiscais. Recebi a sugestão de um filme e assisti. Diz que é uma comédia, talvez seja até o meio. Mas, como aparece pouca coisa sobre a gente por aí, vale a pena assistir.

Só vou contar uma passagem, ok? Um flanelinha: “Eu era ladrão, me prenderam. Vendia cigarros de contrabando, mas apreenderam tudo. Virei guardador de carro, não pode mais. Como faço pra trabalhar?”.

Este é o filme:

L’ora legale, ITA, 2017 (Horário de verão)
Direção: Ficarra, Picone
Elenco: Ficarra, Picone, Vincenzo Amato, Eleonora De Luca, Leo Gullotta, Antonio Catania, Sergio Friscia, Tony Sperandeo, Ersilia Lombardo, Alessia D’Anna
Roteiro: Ficarra, Picone
Duração: 92 min.

http://filmesonlinex.cc/lora-legale-legendado-online/ (cuidado pra não instalar nenhum .exe, tá?!)

http://video.ilmessaggero.it/spettacoli/oralegale_trl-2160083.html

O mesmo filme está na HBO Max, sob o título “A hora da mudança”.

https://br.hbomax.tv/movie/TTL614457/A-Hora-Da-Mudan%C3%A7a


Pra não correr o risco de “spoiler”, achei melhor transcrever as críticas:

Paulo Brandão no site Minha Visão do Cinema:

A cidade de Pietranmare, em Sicilia, passou quinze anos sofrendo com o descaso do prefeito Gaetano Patanè (Tony Sperandeo). Ruas dominadas pela bagunça de carros e sinalização, obras superfaturadas, nepotismo, poluição ambiental e outros problemas sociais deixando os cidadãos insatisfeitos. A solução parece votar num candidato diferente. Aí que entra Pierpaolo Natoli (Vincenzo Amato). Cuja vitória é recebida com tempos de mudança pra melhor como a cidade tanto queria. E realmente é.
As ruas são organizadas, há reciclagem e o fim de cargos públicos a pessoas próximas, enfim, mudança pra melhorar a cidade. Com um preço a pagar. Multas por descumprimento da lei, clientes fieis do café precisam voltar ao trabalho público e pagar do próprio bolso sua subsistência e a fábrica, para se adequar as leis ambientais,  demite funcionários ao invés de cortar o próprio lucro. Já imagina no o resultado.

A dupla de comediantes Ficara e Picone interpretam os dois cunhados do político, Salvo e Valentino respectivamente, donos do café localizado na praça central. Enquanto um é a personificação do malandro, o outro é o homem comum. Ambos irão ver as propostas colocadas em prática e irão agir a elas do seu jeito. Mas além deles, os coadjuvantes da família, dos amigos e dos cidadãos vão lidar com o problema vindo do fim da corrupção.

O filme sob a direção e a atuação da dupla de comediantes vai além da típica sátira italiana de costumes com escrachado e explicito humor de Ficara, a ironia fica mais próxima da sutileza e da normalidade de Picone. Usar a crítica social sobre a raiz da corrupção e a suas soluções vão além do roteirista de longa data Fabrizio Testini, foi preciso o reforço da dupla Edoardo de Angelis e Nicola Guaglianone do dramático Indivisibili (2016) para fazer uma crítica mais sofisticada. Por isso, o roteiro tem sido premiado nos festivais de cinema.

Cecilia Barroso no site Cenas de Cinema:

“Sempre se diz que o Brasil e a Itália são países muito parecidos. Com a mesma origem e uma influência grande daqueles que vieram para cá, principalmente por conta das guerras, a semelhança pode começar a ser percebida nas pequenas coisas cotidianas. Porém, por mais que se fale, por mais que se diga ou avise, o reconhecimento sempre chega de forma surpreendente quando se assiste a um filme de lá, principalmente aqueles que falem de política, como L’ora legale.

Na Sicília, ilha ao sul da Itália, os muitos anos de máfia deixaram um rastro de insegurança jurídico-legal e corrupção. Como numa terra sem qualquer lei, as pessoas fazem aquilo que bem entendem. O prefeito rouba, dá-se um jeito de não trabalhar, impostos não são pagos, ninguém se preocupa com o lixo ou com qualquer outra coisa pública, que seja social. A pequena cidade vai sobrevivendo, até que a bolha explode e o local, literalmente, para.

É o que faz com que haja a mudança no status quo, mas será que aquele povo sabe e quer viver de outra maneira? Com muito humor, o longa-metragem faz um retrato daquele grupo que não aceita mais a corrupção, desde que isso não interfira em suas regalias prévias. Assim como no Brasil, a mudança ansiada tem que alcançar e ser dos outros, nunca do próprio.

Com o país em frangalhos e esquemas de corrupção sempre presentes em todos os noticiários nacionais, além de uma sistemática usurpação de direitos e cada vez mais a concessão de benefícios a uma classe já privilegiada, é impossível não haver o reconhecimento com aquilo que se vê na tela.

A revolta inadequada da população, a máfia acompanhando tudo à distância e o pequeno núcleo que resiste na tentativa de manter a mudança vão construindo a trilha do filme, que diverte genuinamente, mas não se priva de criticar a ausência de honestidade que impera na atualidade. Não é de se estranhar que, mesmo após boas gargalhadas, o que se sinta com o desfecho de L’ora legale não seja nada agradável.

E o gosto amargo que se anda sentindo ultimamente fica ainda mais forte e permanece na boca por algum tempo após a projeção. Frente a tudo o que se vê, na vida real ou na obra, é difícil manter a esperança.

Um Grande Momento:
A fila de pedidos.

 

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